Acorda do sono, acorda
          E ouve a minha canção;
          Eu canto as coisas que choro
          E as que um desejo são.
Este é o fim do meu fundo cantar
          Este e o ódio de errar.

          Acorda, acorda a ouvir
          Minh'alma em ais derramada;
          Como o medo, a humana dor
          Em meu coração é negada,
Com pena a pulsar e fraterno sentir
          Que o choro aos olhos faz vir.

          Acorda, acorda que a noite
          É pura e de todo sai
          Das coisas comuns à vista.
          Acorda, que a lua cai
Qual sonho por sobre o lago. Onde há luar
          Algo forte me faz lembrar.

          Acorda, acorda, que a lua
          Quer trazer-me uma canção
          Profunda, que guarde em si
          O rasto do seu clarão. 
Mas se essa canção profunda eu não canto
          Ah, dorme, dorme entretanto!

 

1908

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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