E grita aos constelados céus
Por trás das mágoas e das grades,
Talvez por sonhos como os meus...
Talvez, meu Deus!, com que verdades!

As grades de uma cela ‘streita
Separam-no de céu e terra...
Às grades mãos humanas deita
E com voz não humana berra...

(Ó meu irmão, porque és humano,
As tuas grades são visíveis...
Quantas não fecham a alma insana?
Os outros, ser, □ impossíveis?)

30 - 10 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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