Por que bailes e que sequência se enegrece
A hora que sem mãos no tear antigo tece
O sonho que arrefece?
Porquê, se o sudário, estala a angústia que temos,
Fica com os olhos na sombra dos remos...
E a sombra dos remos, tornada Cousa, fenece,
Para além de ser a aresta negra da sombra dos remos
Na água que anoitece...
Quem, Alma, me envolvesse!
27 - 3 - 1913

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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