Oh, como se me alonga, de ano em ano,
A peregrinao cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
Este meu breve e vo discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se-me um remdio, que inda tinha;
Se por experincia se adivinha,
Qualquer grande esperana grande engano.

Corro aps este bem que no se alcana;
No meio do caminho me falece,
Mil vezes caio, e perco a confiana.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardana,
Se os olhos ergo a ver se inda parece,
Da vista se me perde e da esperana.

 

Luís Vaz de Camões
[OH COMO SE ME ALONGA DE ANO EM ANO]
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