Passa no sopro de aragem
Que um momento a levantou,
Um vago anseio de viagem,
Que o coração me toldou.

Será que em seu movimento
A brisa lembra a partida,
Ou que a largueza do vento
Lembra o ar livre da ida?

Não sei, mas subitamente
Sinto a tristeza de estar
O saber que há rente
Entre sonhar e sonhar.

19 - 5 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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