Tragam-me o barco e tragam-me as rosas
Disse o Rei.
Quero ir à ilha em que são ditosas
As sombras idas de quem amei.

Mas o barqueiro era incerto e vago
A noite era má,
Um nevoeiro lento e aziago
Descia já.

E o Rei partiu com o amor e as flores
Na noite e ao fim
Voltou o barco e as rosas sem cores
Mas rei nem barqueiro

1 - 3 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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