Mergulho num mar da minha alma, teço
De sonhos a andar o meu Redor...
E é como a memória dum amor
Por uma rainha □
O prolixo abandono em que esqueço...

Esqueço, esqueço... esqueço a gozo infindo
Toda uma vida □ que não vivi
Sinto em glória e □ que enfim findo
E nada acaba onde decidi…

Sinto que esqueço mais do que podia
Sinto que perco mais que tinha, e enfim
Deixo atrás tanto a Noite como o Dia
E não sei como, em Deus, regresso a mim.


[18-9-1914]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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