O vento da noite
Cercou-me de nada.
Na estrada onde eu ia
Não havia estrada,
Não havia nada.

E todo o silêncio
Era um som parado.
Quem quisesse ouvia-o
De si destacado,
Mas sempre parado.

Não tenho esperança.
Cuspi a ilusão,
Não sou quem suponho...
Quem me dá a mão
Sem dar-me ilusão?

15 - 11 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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