A música tem olhos fulgurantes 
movendo-se à volta do fogo. 
Se és visto por eles tornas-te canto, 
tu que és, como tudo é, canto. 

Afasta-te do coração, 
a tua vida canta sob a música, 
não acordes a mortal infância, 
foge do que sabes, porque não o sabes. 

Talvez sejas apenas o sonho 
de um deus não mais desperto que tu. 
Ouve-o dentro de ti, ao deus, 
cantando luminosamente à tua volta. 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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