Há um lago para barcos de criança
No fim do meu sonhá-lo.
Quero cercá-lo de ócios e esperanças
Para poder criá-lo.

Um lago como se o pusesse ali
Quem ali o não pôs,
E onde um pequeno barco álacre vi
Puxado com retrós…

Depois a esquadra que a ninguém faz mal…
(Vieram mais brincar)
Quem me dera na vida

Ter uma alma exactamente igual
A essa esquadra que, ao irem merendar,
Ficou, como eu, calma e esquecida…

 

18 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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