Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,  
Que em minha fronte renovadas ponho. 
    Para mim tece as tuas, 
    Que as minhas eu não vejo. 
Se não pesar na vida melhor gozo 
Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo, 
    Surdos conciliemos 
    O insubsistente surdo. 
Coroemo-nos pois uns para os outros,  
E brindemos uníssonos à sorte 
    Que houver, até que chegue  
    A hora do barqueiro.

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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