Quanta tristeza e amargura afoga
Em confusão a streita vida!
      Infortúnio mesquinho
      Nos oprime supremo!
Feliz ou o bruto que nos verdes campos
Pasce, para si mesmo anónimo, e entra
      Na morte como em casa;
      Ou o sábio que, perdido
Na ciência, a fútil vida austera eleva
Além da nossa, como o fumo que ergue
      Braços que se desfazem
      A um céu inexistente.
14 - 6 - 1926

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[QUANTA TRISTEZA E AMARGURA AFOGA ]
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