Sim, tudo é certo, logo que o não seja.
Amar, teimar, verificar, descrer…
Passos… Não quero ter que descrever…
A alma universal conclua e veja!...

Mas como tua boca é de cereja
Segundo se convenciona de se dizer…
Mas quem sabe o que quer por ti deseja…
Filha, eu que te desejo não sei qu’rer…

Triste sorte a que é minha e dos postiços
Que, tendo achado o certo entre calhaus
Verificaram que os primeiros viços
Saem das ervas más — os filhos maus.

20 - 1 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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