Deixa que o meu olhar desça
Ao fundo da tua alma;
Que olhando-te, te conheça
E saiba o que há sob a calma
Do teu ser visto tão suave
Como o voar de uma ave.

Deixa que eu olhe os teus olhos
E os fite até os não ver
Mas só perceber 
Uma alma à vista nascer
E eu ver-te os sentimentos
Nos meus  atentos.

 

 espaço deixado em branco pelo autor.

21 - 8 - 1910

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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