No sol que a pouco e pouco declinando
Irá meus sonhos transportar à noite
Revejo em fuga aquele esplendor de quando
O trigo se alternava com a foice.

Era a imagem de uma tarde infinda,
Redoma aberta de uma luz doirada.
Certos amigos não tinham ainda
Desaparecido ao voltar da estrada.

Ficou esse horizonte na lembrança,
Linha a perder de vista no olhar.
E é este o sol, o mesmo, na mudança,
E é este o trigo, a foice, e à noite, o luar.


O amor, a própria morte nos aumenta
Sua luz obscura — que nos alimente.

 


Yèvre-le Châtel, 25 de Junho 90

In Átrio
Alberto de Lacerda
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