Às vezes oiço morrer o silêncio –
é o mar que se afasta,
um ramo que partiu com
o insuportável peso

do mundo sobre o verde das suas
folhas, o silvo da lua
nova rasgando o chão das águas
estremunhadas, a rouca

respiração da casa
sufocada pelo glacial
ar das ruas, os passos de Abril
descendo os últimos degraus.


In Os Lugares do Lume
Eugénio de Andrade
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