O grande sol na eira
Talvez seja o remédio...
Não quero quem me queira,
Amarem-me faz tédio.

Baste-me o beijo abstracto
Que o sol dá com luzir
E o amor alheio e exacto
Dos campos a florir.

O resto é gente e alma:
Complica, fala, vê.
Tira-me o sonho e a calma
E nunca é o que é.

21 - 8 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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