Caudais de sangue desencadeados
Pela injustiça milenária
A força bruta


O rio
Passaram a chamar-lhe
História


Caudais de sangue
Entrecortados
Por uma luz que a injustiça
E a força bruta
Não conseguiram nunca
Contaminar


As linhas não se encontram


O contraponto
Não existe


Universos
Completamente alheios
Um ao outro


Os caudais de sangue
Prosseguem
Desaguam na história
E no que passaram a chamar
De Progresso.


Não há redenção


Voltado para a luz
Há outro plano
Há o crescer da árvore e do poema
O florir do amor
Irmandade imensa
Milenariamente
Escorraçada


Sobrevivendo apenas
Na ocultação profunda
Mesmo quando brilha
De dentro
Para todos os lados


Londres, 6-7 de Agosto 90

In Átrio
Alberto de Lacerda
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