Ah, como outrora era outra a que eu não tinha!
Como amei quando amei! Ah, como eu ria.
Como com olhos de quem nunca via
Tinha o trono onde ter uma rainha.

Sob os pés seus a vida me espezinha
Reclinas-te tão bem! A tarde esfria…
Ó mar sem cais nem lodo ou maresia,
Que tens comigo, cuja alma é a minha?

Sob uma umbrela de chá em baixo estamos
E é súbita a lembrança opositória
Da velha quinta e do espalmar dos ramos

Sob os quais a merenda… Oh amor, oh glória!
Fechem-me os olhos para toda a história!
Como sapos saltamos e erramos…

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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