Meu coração, isto é, minha cabeça
(Porque não há sentir no coração)
Bate assustado, bate mal, depressa.
Sinto depressa e sinto em vão.

Sei bem: ternura do que nunca foi,
Saudades de um futuro a não haver -
Por tudo isto bate, que lhe dói
Na cabeça, que é o seu ser.

Porque não aprender com a verdade?
Se a cabeça é que sente, o pensamento
Pode bem ser o sentimento que há-de
Livrar-me do meu sentimento.

2 - 10 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar