Olho em volta de mim. Todos possuem —
Um afecto, um sorriso ou um abrao.
S para mim as nsias se diluem
E no possuo mesmo quando enlao.

Roa por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
So xtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pra e no os sente!

Quero sentir. No sei... perco-me todo...
No posso afeioar-me nem ser eu:
Falta-me egosmo para ascender ao cu,
Falta-me uno pra me afundar no lodo.

No sou amigo de ningum. Pra o ser
Foroso me era antes possuir
Quem eu estimasse — ou homem ou mulher,
E eu no logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
To gil, to agreste, to de amor...
Como eu quisera emaranh-la nua,
Beb-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem vus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim — nsia! — eu a teria...

Eu vibraria s agonizante
Sobre o seu corpo de xtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroo at vencendo:
que eu teria s, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e no possuo.


Paris — maio 1913
Mário de Sá-Carneiro
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