Como quem, vindo de países distantes fora de 
si, chega finalmente aonde sempre esteve 
e encontra tudo no seu lugar, 
o passado no passado, o presente no presente, 
assim chega o viajante à tardia idade 
em que se confundem ele e o caminho. 

Entra então pela primeira vez na sua casa 
e deita-se pela primeira vez na sua cama. 
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças, 
cidades, estações do ano. 
E come agora por fim um pão primeiro 
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca. 


In TODAS AS PALAVRAS. POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2012
Manuel António Pina
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