Ah quem me dera a calma
De alguém me compreender e ser comigo!
        Meu mais próximo amigo
Dista de mim o infinito de uma alma.

        Não tenho confidente
Salvo Deus, porque ele é meu ser por dentro,
        Dobro-me para o centro
Do meu ser, Deus que me continua, ausente.

24 - 7 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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