O Lázaro, sou eu, não foi o Outro,
O das migalhas e das chagas podres.
O Lázaro sou eu, aqui sentado
à mesa do Vice-Rei
A mastigar com nojo estes faisões…
Sou eu, vestido de holanda,
A pregar a nudez que sempre usei
Nas grandes ocasiões

Sou eu, nado e criado para amar,
E que não sei amar.
Sou eu, que disse não e me perdi.
Que vi Deus e nunca acreditei.
Que vi a estrada impedida
E passei…

 

 


In O Outro Livro de Job
Miguel Torga
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