Há uma caixa de chocolates na minha mesa,
Como não sei — na tampa vai a atenção
Para um velho bairro — perfeita Babel
De casas grotescas, negra confusão.

Ali corre escuro um místico rio
Sem que tenha nome — tudo é ignorado —
E, tremendo, sinto a alma sem alma
Perante esse país inominado.

Procura minh’alma qualquer negação
Do Finito e Sabido, que abra e dilate
Todos os portais da imaginação
Até chorar com caixas de chocolate.

1906

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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