O Sprito de quem Deus é humano nome
Alta noite  tomou-me
E rojou-me a seus pés de irrealidade
Para dizer-me a sombra da verdade.
Em alto píncaro de  etérea
Da montanha que ascende da matéria
E cujo cimo as negras nuvens passam
Do espírito, onde a neve eterna abraçam
Sua brancura eterna de além alma
Falou-me Deus. A noite era de calma
Acima do  das esferas
As tempestades de outras atmosferas
Ficavam para baixo. Um frio corre
Por um pávido ser espiritual
Frio de vento de alma suprar-real
E eu caí como um corpo quando morre...


 espaço deixado em branco pelo autor

19 - 7 - 1912

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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