…E ao fundo do céu a aurora, pó d’ouro vago

…E muito ao fundo, ao pé dum sobrado antigo
A sereia assentada com um pente □ penteia
Os cabelos cor de trigo

□ a Náiade
Com um gesto aquático das mãos penteia
Seus cabelos, algas de imortalidade...

□ a sereia
Que fugiu dos mares d’outrora penteia
Com os gestos de onda o cabelo
Sobre o seu vago vulto branco ondeia
O vulto imerso do castelo.

□ espaço deixado em branco pelo autor


[c. 27-3-1913]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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