Na rua tive um sorriso
Que o acaso deu,
Decerto impreciso,
De algum modo’ meu.

Um sorriso alheio
Que só me foi dado
Por eu estar no meio
Do sorriso olhado:

Que me importa? A sorte
Dá o que acontece.
Tudo é sonho e morte.
Num sorriso esquece.

30 - 10 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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