Não toques com um mero olhar sem ver
Um vago virar de olhos p’ra o meu lado
No meu anseio incerto e agoniado,
Na minha consciência de viver.

Deixa meu tédio entregue a não ser nada
E a ser sensível a qualquer olhar

Deixa que eu durma, deixa que eu acabe,
E que a luz nunca venha despertar-me


□ espaço deixado em branco pelo autor


[7-7-1917]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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