Não distingo se sou eu
Que estou ouvindo, ou se é
Só um som de água que é meu
Porque está aqui ao pé.

Mas o som de água persiste
Para além de quem eu sou.
Penso: sou dormente e triste.
Oiço: quem fui despertou.

 

2 - 10 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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