OS QUE, FELIZES ou não, dos termos pendente,
Vivem, sentindo ou não, seu tempo de luta,
Seu destino sem sentido e consciente,
Sua vida imprevista, útil, inútil,

Os que, gente comum, possuem a noção
De como a vida vem e vai na realidade,
Para quem o espiritual é pretensão
Tida como o preço de toda a raridade —

Esses eu não sei se os invejo ou não,
São como eu, mesmo que divergentes.
Tudo é igual, comum nosso quinhão,
Mas pensar nas coisas é que as faz diferentes.

Quando brilha o sol somos iguais, mas vem
A noite interior e já nada está bem.

 


In POESIA INGLESA II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 2000
Fernando Pessoa
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