A preguiça de pensar
É uma grande alegria,
Porque pensar é achar
Que a lareira já está fria.

Não quero pensar em nada.
Quero aquecer-me a sentir
Que na lareira apagada
Arde uma lareira de ouvir.

Que lareiras e alegrias
São coisas só de sonhar…
Aquecem por fantasias,
Mas, se pensar, são frias —
São frias por se pensar.

 

25 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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