Não tendo nada que fazer,
Faço os meus versos p’ra o dizer,
Sem ter teoria do mundo,
Canto a fundo
Tudo e nada,
Em versos de vagabundo — Mas vagabundo sem estrada...

Não tendo jeito para ter,
Faço versos em vez de qu’rer.
Sem teoria de mim
Canto sem fim
Nem sensação
Em poesias de Arlequim...
(Ou é de Pierrot que são?)
28 - 2 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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