Tarda, tarda, tarda,
Tarda—me a vida toda,
E a cabeça, porque arda,
Anda-me toda à roda.

Se eu tivesse juízo
Andava-me a cabeça,
Assim como é preciso
Ao contrário, e depressa.

Mas como sou quem sou
E não sei quem sou eu,
Vou assim como vou,
E o resto Deus o deu...

18 - 9 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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