Mas eu, que em toda a parte
Sou peregrino e estranho,
Que por nenhuma arte
Felicidade tenho,

Ouço-te sem saber
Se me alivia ou não
Teu canto a estremecer
Dentro em meu coração.

Sinto mais a alegria
Do teu canto, ou a dor
Que esse canto alumia
Mostrando-m’a melhor?

Não sei, e uma incerteza
De desconsolação

19 - 5 - 1925

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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