A tmbola anda depressa,
Nem sei quando ir parar —
Aonde, pouco me importa;
O importante que pare...
— A minha vida no cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar...

Abriu-se agora o salo
Onde h gente a conversar.
Entrei sem hesitao —
Somente o que se vai dar?
A meio da reunio,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:
s cambalhotas desato,
E salto sobre o piano...
— Vai ser bonita a funo!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento gargalhada,
E fujo pelo saguo...

Meses depois, as gazetas
Daro crticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha ltima obra...
E eu — pr cama outra vez,
Curtindo febre e revs,
Tocado de Estrela e Cobra...

 


Paris — novembro 1915
Mário de Sá-Carneiro
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