Por mais que a penumbra seja
O sentido deste mundo,
A sombra da árvore beija
Meu esquecimento profundo

Sob ela jazo, dormente,
Sonho não ‘star a dormir.
E sigo, anónimo e crente
O que me sinto sentir.

Que sossego sem pensar!
Que sensações sem querer!
E gozo o nada e o ar
Que nada me vem dizer.

4 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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