Eh, deixa-os longe! Isola-te, ó minha alma!
Vai-te de entre os normais e os adaptados...
Como um funesto lastro lança aos fados
Do abandono e da renúncia calma

E desdenhosa o amor, a força, os dados
Da vida casual, a □ e a palma
Da glória entre aplausos... Já se acalma,
Vê, em teu torno a vida e os céus nublados.

Longe do cais da vida sã e forte,
Barca ébria de não ter sul nem norte,
Abdica dos fins todos da viagem...

O amor? P’ra os outros... A alegria? Deixa-a
Aos banais... A ânsia de convívio fecha-a
No ido... Parte, e goza não gozar...

30 - 11 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar