Todo o meu corpo é o universo inteiro
Meu ser corpóreo é um imenso abismo
Onde, como astros de um  local
Universo de sonho e de Real
Enorme seu brilho  e passageiro
Sempre que dentro em mim me entrego e cismo.

Quanto eu sou porque sou consciência e alma?
Dentro de mim barca suave e calma
Num mar de Horror
Flutua a Realidade Exterior
Desconhecidos seres de outra matéria
Que os sentimentos ou os corpos, luzem
E o que em mim pensa conduzem
Para uma confusão divina e etérea...

Erro entre abismos dentro do meu ser
Ocupo-me indeterminadamente


 espaço deixado em branco pelo autor


[1913]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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