Com capacete com plumas,
Luzente capacete,
Redeando um ginete
Branco como as espumas
Do mar quando arremete
Partia para a guerra
Em tempos já muito longe
O Cavaleiro da Serra.
 
Parou onde escura a gruta
Do sábio monge se via
Saber disse queria
Como a Intenção absoluta
Seu fado já que partia
Ia para a guerra,
E respondeu o monge
Ao Cavaleiro da Serra:

(Morrerás em combate
E ao teu ginete de leite
Outro terá  ajeite
E outro amado será
Da tua dama aceite
Não partas pois para a guerra»
Disse  o monge
Ao Cavaleiro da Serra.

Mas viu sua lança em riste
Retomar seu ginete
Luzente o capacete
Pelo silêncio triste
Como alma que se submete
Parti  para a guerra
— Como esse tempo está longe —
O Cavaleiro da Serra.
 

 espaço deixado em branco pelo autor

19 - 7 - 1910

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar