Mestre, so plcidas 
Todas as horas 
Que ns perdemos, 
Se no perd-las, 
Qual numa jarra, 
Ns pomos flores. 

No h tristezas
Nem alegrias 
Na nossa vida. 
Assim saibamos, 
Sbios incautos, 
No a viver, 

Mas decorr-la,
Tranquilos, plcidos, 
Lendo as crianas 
Por nossas mestras, 
E os olhos cheios 
De Natureza ... 

beira-rio,
beira-estrada, 
Conforme calha, 
Sempre no mesmo 
Leve descanso 
De estar vivendo. 

OTempo passa,
No nos diz nada. 
Envelhecemos. 
Saibamos, quase 
Maliciosos, 
Sentir-nos ir. 

No vale a pena
Fazer um gesto. 
No se resiste 
Ao deus atroz 
Que os prprios filhos 
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mos
Nos rios calmos,
Para aprendermos 
Calma tambm.

Girassis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranquilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.

12 - 6 - 1914

In Poesia , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[MESTRE SÃO PLÁCIDAS ]
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