rvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
est virgneas faces imitando;

nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vo, o teu injria sinta;
nem por malcia de ar te seja extinta
a cor, que est teu fruito debuxando.

Que pois me emprestas doce e idneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glria,

se no te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memria.

Luís Vaz de Camões
[ÁRVORE CUJO POMO BELO E BRANDO]
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