Meu gesto que destrue
      A mole das formigas,
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;
Mas eu não sou divino para mim.

      Assim talvez os deuses
      Para si o não sejam,
E só de serem do que nós maiores
Tirem o serem deuses para nós.

      Seja qual for o certo,
      Mesmo para com esses
Que cremos serem deuses, não sejamos
Inteiros numa fé talvez sem causa.

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[[MEU GESTO QUE DESTRUE]]
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