Passava eu na estrada pensando impreciso
      Triste á minha moda.
Cruzou um garoto, olhou-me, e um sorriso
      Agradou-lhe a cara toda.

Bem sei, bem sei: sorriria assim
      A um outro qualquer.
Mas então sorriu assim para mim…
      Que mais posso eu qu’rer?

Não sou nesta vida nem eu nem ninguém,
      Vou sem ser nem prazo…
Que ao menos na estrada, me sorria alguém
      Ainda que por acaso.

22 - 4 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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