Gato que brincas na rua 
Como se fosse na cama, 
Invejo a sorte que é tua 
Porque nem sorte se chama.
 
Bom servo das leis fatais 
Que regem pedras e gentes, 
Que tens instintos gerais 
E sentes só o que sentes.
 
És feliz porque és assim, 
Todo o nada que és é teu. 
Eu vejo-me e estou sem mim, 
Conheço-me e não sou eu.
1 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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