Homem que vens de humanas desventuras,
Que te prendes à vida e te enamoras,
Que tudo sabes e que tudo ignoras,
Vencido herói de tôdas as loucuras;

Que te debruças pálido nas horas 
Das tuas infinitas amarguras-—
E, na ambição das coisas mais impuras
Ês grande simplesmente quando choras

Que prometes cumprir e que te esqueces,
Que te dás à virtude e ao pecado,
Que te exaltas e cantas e aborreces,’

Arqujtecto do sonho e da ilusão,
Ridículo fantoche articulado
— Eu sou teu camarada e teu irmão.

In Sonetos 

 


In As Canções de António Botto - Primeiro volume das obras completas
António Botto
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