De Babel sobre os rios nos sentmos,
de nossa doce ptria desterrados;
as mos na face, os olhos derribados,
com saudades de ti, Sio, chormos.

Os rgos nos salgueiros pendurmos,
em outro tempo bem de ns tocados;
outro era ele, por certo, outros cuidados.
Mas, por deixar saudades, os deixmos.

Aqueles que cativos nos traziam,
por cantigas alegres perguntavam.
«Cantai – nos dizem – hinos de Sio».

Sobre tal pena, pena tal nos do;
pois tiranicamente pretendiam
que cantassem aqueles que choravam.

 

Luís Vaz de Camões
[DE BABEL SOBRE OS RIOS NOS SENTÁMOS]
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