Em um batel que com doce meneio
o aurfero Tejo dividia,
vi belas damas ou, melhor diria,
belas estrelas, e um Sol no meio.

As delicadas filhas de Nereio,
com mil cordas de doce harmonia,
iam amarrando a bela companhia
que, se eu no erro, por honr-las veio.

fermosas Nereidas que, cantando,
lograis aquela vista to serena
que a vida, em tantos males, quer trazer-me:

dizei-lhe que olhe que se vai passando
o curto tempo e, a to longa pena,
o esprito pronto, a carne enferma.

Luís Vaz de Camões
[EM UM BATEL QUE COM DOCE MENEIO]
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