Cai do firmamento
Um frio lunar.
Um vento nevoento
Vem de ver o mar.

Quasi maresia,
A hora interroga,
E uma angústia fria
Indistinta voga.

Não sei o que chora
Em mim o que penso
Não é minha a hora
E o tédio é imenso.

Que é feito da vida
Dos outros, em mim?
A Brisa é diluída
E a mágoa sem fim.

Seja a hora serena
E pálida, ou não,
Mas Deus tenha pena
Do meu coração!

20 - 6 - 1919

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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