Poeta maldito ele aqui jaz,
Do céu azul oculto, atrás
De lama e lixo, ele aqui jaz
Bem no fundo da corrente.
Estranhos sonhos sonhou em mente.
Amou os homens, mas não fez nada
P’la humanidade. Seu pensar vão.
Como devia não foi amado.
Sol da manhã, tardo clarão
Não chegam fundo onde ele, jacente
Em lama e lixo, do céu ausente.
Sentir, saber, tudo ansiou.
Ao perene sempre aspirou.
Para além do tempo e aparência.
Cheio dos detritos da urbe imensa
Sobre ele o rio passa a correr.
Negra, sobre ele, passa a torrente.
Fundo, onde a luz não pode ver,
     Maldito seja eternamente!
1908

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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